Ana Cláudia Mascarenhas

Olhares cruzados

Projeto de iniciação científica PIBIC/UnB

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Já não posso mais sequer utilizar a palavra pesquisa para descrever o que estamos fazendo aqui (Expedição 1 - Amazônia), pois já superamos essa barreira desde o momento em que pisamos em Alter do Chão. Em meio a tudo que estamos vivenciando, eu me encontrei neste grupo e nessa experiência,

 

De câmeras e fotógrafos já basta. Isso também nunca tive a intenção de ser. Meu trabalho aqui é capturar tudo aquilo que a câmera não consegue: o cheiro, o sentimento, o sensível, o toque. Tudo aquilo que só pode ser olhado com o olho e com o corpo inteiro e que talvez nunca poderia ser exposto em nenhuma exposição ou livro, a não ser pela tentativa de descrever

o que, para mim, é o que temos de mais importante nessa viagem: a experiência poética que é esse lugar. Essas “fotos” do sensível se encontram em uma única galeria que nunca poderá ser vista: a galeria de nossas memórias particulares. Tudo isso é o que compõe o olhar, que é particular, individual e intransferível.

 

Aqui, na Amazônia, eu pude me encontrar como pessoa e como pesquisadora. Meu dever é registrar tudo aquilo que compõe meu olhar particular e às impressões dos olhares das pessoas que partilharam dessa experiência comigo. O meu lugar está na palavra, nos meus textos, nos meus registros e nos meus desenhos.